Não existe jeito certo de existir.
- Gabriel PinOli

- 18 de jan.
- 3 min de leitura
Sabe o que me cansa?
Essa ideia de que a vida vem com um “manual do que combina com o que”. Como se existir fosse montar look: isso não vai com aquilo, então você escolhe um lado, se comporta, se encaixa e pronto… aprovado. Mas alma não funciona por estética, gente.
Entenda… um dia você quer silêncio. Um dia você quer festa. Um dia você quer Deus. Tem dia que você quer gente. E, às vezes, você quer tudo no mesmo dia, porque você é humano.
A gente aprendeu a viver em caixinhas porque dá menos trabalho pros outros julgarem. “Ele é de tal tipo.” “Ele é de tal jeito.” “Isso não combina com você.” E você vai acreditando… até começar a se vigiar. Até começar a escolher as coisas com medo, e não com verdade.
Às vezes, é necessário que você se faça essa pergunta: o que eu tô fazendo… me deixa inteiro?
Porque dá pra ir na igreja por rotina e sair de lá vazio. E também dá pra dançar numa balada e, no meio de uma música, sentir um tipo de presença que você nem sabe explicar. Dá pra sair da balada ainda suado, com purpurina grudada na pele, e entrar na igreja com a mesma sede de paz — não porque você tá “misturando as coisas”, não, mas porque você tá tentando existir com honestidade.
O problema é que a gente vive pedindo permissão pra sentir. E pior: a gente pede permissão pras pessoas erradas.
Tem muita gente vivendo de aparência: indo onde “pega bem”, ficando onde “faz sentido pros outros”, repetindo hábitos como quem cumpre um ritual de igreja aos domingos… enquanto, por dentro, não acontece nada. E aí chama isso de vida. Mas é só repetição.
E eu não tô falando de virar inconsequente, não. Responsabilidade não é prisão. Responsabilidade é caráter: você trabalha, você cumpre o que promete, você respeita limites — seus e dos outros. Só que responsabilidade não deveria ser sinônimo de se amputar.
Porque olha a ironia: tem gente que pode ser toda certinha de agenda, de calendário, mas completamente ausente de momento. Tá sempre “fazendo o correto”, mas nunca tá inteiro em lugar nenhum. E isso, pra mim, é a maior contradição disfarçada de virtude que existe.
Aliás… a gente vive num mundo de comTradições: tradições que viraram contradições. Regras que eram pra orientar, mas hoje só servem pra vigiar. E aí, por medo de julgamento, a pessoa não vive. Ela administra uma imagem.
Só que viver não é manter um personagem coerente. Viver é ter coragem de ser verdadeiro no que você sente — com essência, com consciência.
Se você vai na igreja, vai porque você quer buscar algo ali. Você vai com presença. Vai com verdade.
Se você quer dançar, dança porque você quer sentir seu corpo vivo, sua alegria viva, sua humanidade viva. Também vai com presença. Vai com verdade.
E tem aqui um ponto que pouca gente admite: muitas vezes, a culpa nem vem de Deus. A culpa vem do público. Vem do “e se alguém me ver?”, “o que vão pensar?”, do “isso pega mal”. E você passa a vida tentando não decepcionar gente que nem está lá quando você cai.
Gente, você não precisa escolher entre ser profundo e ser leve. Você não precisa escolher entre ser espiritual e ser humano. Você não precisa escolher um “jeito certo de viver”, porque não existe um modelo exato — existe essência.
O que existe é: você tá presente no que você está fazendo? Ou você só está tentando parecer uma versão aceitável de si mesmo?
Porque quando você se entrega de verdade ao agora — seja numa oração, seja num abraço, numa música — você para de viver de opinião. Você começa a viver de presença.
E viver de presença, viver de agora, é libertador; ninguém consegue te prender num rótulo quando você tá inteiro.
Só vai. Se te dá paz, vai. Se te dá vida, vai. Se te devolve pra você, vai.
Só não vai por foto. Não vai pela rotina. Só não vai pelo medo. Vai por verdade. Vai por sentir.
E se alguém não te entender… tudo bem. A vida não foi feita pra ser entendida por todo mundo. Foi feita pra ser vivida por você — com caráter, com essência e com coragem de ser inteiro.
Porque, no fim, a gente não se arrepende do que viveu com verdade. A gente se arrepende do que deixou de viver… pra não incomodar a cabeça dos outros.
Viva. Mas viva inteiro.
Tem gente vivendo de rotina… e chamando isso de vida. A pergunta é simples: isso que você faz te deixa inteiro? O “manual do que combina com o que” talvez esteja roubando a sua vida. Não existe “jeito certo” de viver, existe presença.
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