top of page
Buscar

Abelha.

  • Foto do escritor: Gabriel PinOli
    Gabriel PinOli
  • 27 de jan.
  • 2 min de leitura

Hoje eu fui picado por uma abelha.


E isso me fez pensar:

Uma abelha, quando pica alguém, ela morre.


Não porque ela quer morrer.


Mas porque, naquele momento, se defender é mais importante do que continuar viva.


Vai fazer sentido…


A abelha, naquele momento, ela não pensa.


Ela não hesita.

Ela só se protege, ela dá a sua vida pela sua própria vida.


E eu fiquei olhando pro meu olho inchado pensando:


quantas pessoas estão morrendo diariamente sem nunca terem se defendido?


Morrendo ficando, morrendo cedendo.


Permanecendo em silêncio.


Com medo.


“Ah, depois eu vejo”.


“Ah, deixa assim mesmo”.


Morrendo se adaptando ao que dói pra não perder quem machuca.


Tem gente que não morre de uma vez.


Vai morrendo em parcelas.


Entregando pedacinhos da própria vida pra caber na de alguém.


A abelha se mata uma vez, por ela.


A gente se mata todos os dias, pelo outro.


E isso ninguém chama de morte.


Chamam de amor.


Chamam de dedicação.


A abelha entrega a vida por amor a si.


A maioria das pessoas entrega a vida por não saber se amar.


E isso muda tudo.


Quando foi que amar virou sinônimo de desaparecer?


Porque enquanto você não se reconhece como casa,


qualquer porta aberta vira endereço.


Qualquer migalha vira banquete.


Qualquer voz gritando lá na frente vai virar direção.


A abelha sentiu perigo.


Acabou.


Não tem conversa.


Já a gente…


a gente abre a porta, puxa uma cadeira, faz um cafézinho pro perigo sentar.


Pede desculpa por incomodar.


Tem gente que não se entrega por amor.


Tem gente que se entrega por carência.


E carência aqui não é falta de alguém —


é falta de si.


A abelha sente o perigo… e fere.


O ser humano sente o perigo… e se entrega a ele.


A gente não se protege.


A gente se molda ao que machuca.


A gente não usa o ferrão.


Mas a gente entrega o corpo.


A gente não morre por amor próprio.


A gente morre pra não ficar sozinho.


A abelha se defende e morre.


A gente não se defende, mas a gente passa a sobreviver…


meio morto, meio vivo.


Sobreviver em função do outro.


Sobreviver em um papel.


Sobreviver em silêncio.


A abelha não se sente culpada e pede desculpas.


Ela não acha que exagerou.


Ela honra a sua vida.


Já a gente…


a gente negocia a nossa vida…


a gente negocia a nossa própria vida,


tudo em troca de não ficar sozinho.


Enfim…


Você sabe que a picada nem doeu tanto,


mas o tanto que ela me fez pensar…


A abelha morreu, coitadinha, por proteção.


Uma morte só, pelo menos.


Muita gente morre todos os dias, vive morrendo,


por abandono de si próprio.


Por abandono de si próprio.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Escolha você.

Você vai precisar escolher.
 E, às vezes, se escolher vai parecer… uma merda. Porque a gente foi treinado a aguentar.
 A gente chama de “dar mais uma chance” o que, no fundo, é medo de ficar sozinho.

 
 
 
2016 não sabia disso.

Se a verdade fosse um remédio, em sua bula viria assim: Princípio ativo: viver. Posologia: um “eu sou” por dia — de preferência em voz alta. Efeitos colaterais: ombros mais leves, riso menos en

 
 
 
Chorar não é fraqueza.

Eu adoro fazer pessoas chorarem. Soa meio tóxico, né? É daquele tipo de comentário que, fora de contexto, tem cara de gente problemática. Mas a verdade é que não é bem o choro que me interessa — é o q

 
 
 

Comentários


bottom of page